Arquivo diários:7 de agosto de 2020

A autocrítica e a despolitização da classe trabalhadora.

Por  Valdete Moreira (*)

No Brasil acontece hoje a guerra de classes, a guerra entre a burguesia e o proletariado. E em toda guerra só existem dois lados.
A classe operária precisa ter bem claro isso pra não cair nas artimanhas impostas pela burguesia que usa ofuscar essa linha que divide os dois lados da guerra.

Muitas forças independentes e heterogêneas podem adentrar o campo de batalha, mas ainda assim, por mais multíplices que sejam, elas terão inevitavelmente que se aglutinar de um lado ou de outro. Os neutros e indecisos, com sua vacilação e seu abstencionismo, sempre vão reforçar o lado mais forte.

Infelizmente a sociedade brasileira vive hoje uma guerra velada onde os lados não estão suficientemente claros e assim torna-se as coisas bem mais difíceis até para uma análise mais profunda.

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A luta não dá trégua: educação antirracista e democracia.

Imagem do site Lunetas

Por Lázaro Evangelista (*)

É sábio que o Brasil desde a sua formação, enquanto nação, até a contemporaneidade é um dos países que, em decorrência da omissão do Estado e por intermédio de políticas que beneficiam uma parte da população, tem uma das maiores assimetrias sociais e desigualdades em todo o mundo. Tais desigualdades são sentidas e eclodem substantivamente em determinados sujeitos que não possuem os padrões hegemônicos estabelecidos pelos grupos que detém o poder econômico e político.

Estes grupos, ao invés de utilizar seus privilégios com a perspectiva de auxiliar o desenvolvimento social e político do país, utilizam estratégias sórdidas para destruir direitos dos cidadãos e, principalmente, atacar uma das vias que pode auxiliar de forma potente o combate contra assimetrias sociais, bem como oferecer melhores condições para que haja relações mais equânimes na sociedade, o campo da educação.

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O assassinato de George Floyd

Protesto contra o racismo em São Gonçalo, no Rio. Foto: El País. Silvia Izquierdo / AP

Por Adiles da Silva Lima (*)

“… Como a África vai ensinando a gente! Por exemplo, seu estivesse escrevendo para o Brasil, sobretudo     para educadores que estivessem trabalhando com massas populares, em centros urbanos, como São   Paulo, eu teria sugerido que ao abrir o livro, na introdução, o animador propusesse aos participantes do   círculo que fizessem uma leitura silenciosa do texto e que, em seguida, cada um iria fazer a leitura em voz   alta. Mas para a África, não. Inclusive a minha primeira tentação foi essa. Imediatamente o lápis parou no caminho e eu refiz a trajetória. Na África, meu querido Sérgio, a gente está enfrentando uma cultura cuja memória –por ‘n’ razões que não interessa aqui agora conversar- é auditiva, é oral, e não escrita.”  (Paulo Freire. A África ensinando a gente: Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe/Paulo Freire, Sérgio Guimarães.—São Paulo: Paz e Terra, 2003)

Educação, há um rombo aí que atravessa o rufar dos nossos tambores, vamos conversar?

O assassinato de George Floyd, ocorrido em maio, nos EUA, provocou grande repercussão pelo mundo que assistiu com perplexidade, àquelas imagens, bem como, às inúmeras ondas de protestos e as dimensões que esse fato atingiu. Para quem, como nós, conhece, pelo menos um pouco da história das relações raciais desse país e que assistia, à distância, à crueldade daquelas imagens, poderia até entender como mais um fato dentre tantas cenas de abusos da polícia que se assiste por vídeos nas redes sociais. E mais, o modus operandi daquela cena do joelho no pescoço de Floyd, tampouco se configurava como uma exceção, mesmo porque, há bem pouco tempo, um outro homem, também negro, havia sido vítima da mesma forma. Pois então, se a lógica das relações raciais daquele país, assim como a nossa, não é, e nunca foi, exemplo positivo para o mundo, porque esse caso estremeceu tanto aquela sociedade? Lembrando que houve até toque de recolher e forças armadas foram acionadas, tamanho o número de protestos nas ruas. Muito embora, tenhamos conhecimento das dificuldades do governo e das suas relações políticas internas e que, portanto, poderiam ter acelerado o estopim, ainda assim, a história secular de maus tratos às comunidades negras, essa morte poderia ter sido apenas mais uma, como acontece aqui. E por que não foi? E por que nos vieram tantos questionamentos? E o porquê daquele barulhento e intenso clamor nas cerimônias fúnebres?

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Sabão Legal: juntos contra o vírus

Por Jussemar da Silva (*)

Na condição de diretor da E. E. E. Médio Farroupilha há três anos nesta função, juntamente com toda a equipe diretiva temos procurado abrir canais e espaços de trocas com a comunidade e instituições educativas. Dentre estas ações destacamos o projeto Sabão Legal: juntos contra o vírus , o que será objeto do nosso relato.

No início de abril, do corrente ano, num período em que já nos encontrávamos com a suspensão presencial das aulas, em razão da pandemia do COVID-19, fomos procurados pela mãe da aluna Júlia, a senhora Daniela Dias, que é estudante do IFRS, tecnóloga de Gestão Ambiental, onde manifestou interesse e convidou a escola para desenvolvermos um projeto. Após esta conversa preliminar, combinamos uma primeira reunião para planejar melhor este propósito. Reunidos na sala dos professores no dia 15 de abril, juntamente com a presidente do CPM da escola, Leine, a senhora Simone, representando a Associação Comunitária da Vila Querência, o professor Sérgio Kapron do IFRS, as alunas Júlia e Manuela do Farroupilha e do IFRS, respectivamente, pautamos o projeto, ponderamos sobre os objetivos, estratégia e parcerias. Tomando as medidas e procedimentos para pôr em prática.
 
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