Arquivo diários:11 de agosto de 2020

Educação Popular para a pospandemia: Construindo os inéditos-viáveis

FME Belem 2009. Foto Albert Sansano/Leslie Toledo

Por Oscar Jara Holliday (*)

O contexto latino-americano e caribenho desde antes da crise produzida pela pandemia do COVID 19, estava atravessado por uma ofensiva neoliberal em distintas dimensões (política, econômica, socio ambiental, cultural) que havia se estendido por toda nossa região com uma força inusitada nos dois últimos anos: o golpe de Estado de Bolívia, a virada do governo em Equador, a agressividade do governo brasileiro, o crescente bloqueio a Cuba e Venezuela, o resultado das eleições em Uruguai, etc. refletem umas dinâmicas de polarização que incluíram grandes mobilizações populares em Haiti, Equador, Chile e Colômbia, a caravana de migrantes centro-americanos, ou a derrota do partido Cambiemos em Argentina. Estes e outros fatores, como o crescente número de dirigentes sociais e ambientais assassinados especialmente em Colômbia, México e Honduras, embora também em outros países como Costa Rica, visibilizam a magnitude desta ofensiva e a polarização que ela produziu em relação a propostas e movimentos progressistas. Os primeiros meses de 2020 mostram também um preocupante crescimento de casos de agressões contra as mulheres e de feminicídios, expressão da cruel e estendida que é esta situação de múltiplas violências que vivemos.

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O papel da escola se funde ao papel da sociedade: combater o racismo em todas as suas formas e manifestações. Entrevista a Renísia Cristina Garcia

Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

Entrevista a Profa Dra. Renísia Cristina Garcia Filice (*)

Escola do Povo:  O assassinato de George Floyd no EUA, a morte de Miguel Otávio Santana da Silva de 5 anos no Brasil, do João Pedro de 14 anos ou de cada uma das vidas que são ceifadas em nosso país só reforçam aquilo que temos defendido há muitos anos sobre a necessidade da luta contra o racismo. Nesse sentido qual o papel da escola na luta contra o racismo?

Renísia Cristina Garcia – O papel da escola se funde ao papel da sociedade: combater o racismo em todas as suas formas e manifestações. Temos uma legislação robusta, resultado da organização do Movimento Negro e que gerou, destacadamente, a lei 10.639/2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e obriga o ensino de História da Africa e Cultura Afro brasileira.  Estudar a contribuição negra, a cultura negra negada, é tarefa de todo e toda educadora, como forma de ajudar a evidenciar práticas preconceituosas e discriminatórias que pavimentam o racismo no Brasil. Nem o caso de George Floyd, Miguel, João e milhares de outros são diferentes, o problema é que, no Brasil – por vezes, nega-se o seu racismo. O que torna a situação muito grave. O mito da democracia racial ainda nos assombra de forma avassaladora.

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