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Posicionamento do Comitê Popular Estadual de acompanhamento da crise educacional no RS sobre o protocolo de retorno às aulas

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Pelo Comitê Popular Estadual

Posicionamento do Comitê Popular Estadual de acompanhamento da crise educacional no RS sobre o protocolo de retorno às aulas

1. A situação de emergência sanitária em que vivemos hoje não pode servir de pretexto para negar o direito à educação. Diante disso, manifestamos discordância com as medidas previstas na Portaria Conjunta SES/SEDUC/RS Nº 01/2020 que instituiu o protocolo de prevenção, monitoramento e controle do novo Coronavírus a serem adotadas por todas as Instituições de Ensino no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul.
2. No RS, assim como no restante do país, a situação da pandemia é de ascendência, por isso, antes de defender o retorno de qualquer tipo de atividade presencial nas instituições de ensino é necessário reforçar as medidas de isolamento social e distanciamento físico como a garantia do direito à vida e à saúde. Tais medidas estão em acordo com as orientações da OMS¹ e se mostram como as ações mais eficazes de diminuição das taxas de contaminação e proliferação do vírus.
3. A pandemia do COVID-19 levou-nos a uma situação de excepcionalidade que tem gerado ruptura nos processos formativos e nos vínculos entre as crianças, estudantes e instituições de ensino escolares e acadêmicas. Nesse contexto, não podemos permitir que as medidas que estão sendo adotadas sem um diálogo amplo com a sociedade tragam ainda mais prejuízos às crianças e estudantes.

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A Escola durante e pós-pandemia

 
Por Guiomar Terra Batú dos Santos

 

Dois mil e vinte. O verão,quase brasa, sai de cena e dá lugar ao outono assombroso, tenso, em que quase passou despercebida,a dança das folhas multicores ao vento, deixando as árvores desnudas. Desnudas as árvores, e as gentes. Desnudos todos nós de nossas certezas tão incertas, assistimos, estupefatos, à humanidade sendo devorada por um vírus minúsculo a desafiar todos os avanços da ciência.

O medo ronda as casas, arrebata vidas. A pandemia se agiganta mundo afora, sem limites, sem fronteiras.

No Brasil doente, desordenado, pandemônio, aprofundam-se enfermidades múltiplas: o coronavírus rasga a terra em sepulcros; a derrocada da democracia vai se naturalizando; a economia chafurdando, empobrecimento e miserabilidade com mais de 40 milhões de pessoas ganhando a vida na informalidade, mais de 12 milhões de desocupados.

O inverno gélido no torrão gaúcho é demarcador da realidade social – conforto, prazer, bons vinhos para alguns, agonia, flagelo para muitos.

O bom senso faz-nos reclusos, um tanto sepultados, sem poder transitar, sem abraçar, sem beijar, sem um aperto de mão sequer.

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Contribuições para o debate sobre os protocolos apresentados pelo governo do estado

Por MPP Escola do Povo

A importância da escola ficou explícita durante este período de isolamento social e de suspensão das aulas. Por isso, o Movimento Popular Pedagógico Escola do Povo propõe que, antes de pensarmos em voltar às aulas presenciais, temos que refletir sobre o que aconteceu com as comunidades escolares nestes meses. As medidas que foram tomadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e seu Secretário de Educação, Faisal Karam foram realizadas sem diálogo e sem o envolvimento com as entidades vinculadas a educação.

A maior parte das atividades produzidas e enviadas pelo professorado, no calor das emoções e da pressa, priorizaram o conteúdo em lugar do pensamento. Num período em que o importante deveria ser o pensar, conviver, agir e adaptar a esta nova situação, aprender dela para crescermos todas e todos juntos. E esta oportunidade se perdeu e está se perdendo com as exigências burocráticas da SEDUC, sobretudo a partir das orientações procedimentais acerca das aulas remotas (não presenciais) e do Plano Emergencial de aulas não presenciais por meio dos Relatórios das Aulas Programadas de março até abril, que não são mais que tabelas, planilhas, números que servem apenas para prestar contas à sociedade que algo foi feito. Com isso o governo desconsidera que grande parte das e dos estudantes não tiveram acesso à educação por questões estruturais (a falta de equipamentos adequados, sem sinal de internet), por questões econômicas, e por questões de saúde (da proteção sanitária à saúde mental).
 
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