A Escola durante e pós-pandemia

 
Por Guiomar Terra Batú dos Santos

 

Dois mil e vinte. O verão,quase brasa, sai de cena e dá lugar ao outono assombroso, tenso, em que quase passou despercebida,a dança das folhas multicores ao vento, deixando as árvores desnudas. Desnudas as árvores, e as gentes. Desnudos todos nós de nossas certezas tão incertas, assistimos, estupefatos, à humanidade sendo devorada por um vírus minúsculo a desafiar todos os avanços da ciência.

O medo ronda as casas, arrebata vidas. A pandemia se agiganta mundo afora, sem limites, sem fronteiras.

No Brasil doente, desordenado, pandemônio, aprofundam-se enfermidades múltiplas: o coronavírus rasga a terra em sepulcros; a derrocada da democracia vai se naturalizando; a economia chafurdando, empobrecimento e miserabilidade com mais de 40 milhões de pessoas ganhando a vida na informalidade, mais de 12 milhões de desocupados.

O inverno gélido no torrão gaúcho é demarcador da realidade social – conforto, prazer, bons vinhos para alguns, agonia, flagelo para muitos.

O bom senso faz-nos reclusos, um tanto sepultados, sem poder transitar, sem abraçar, sem beijar, sem um aperto de mão sequer.

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Copio e colo

Por Júlia Mendes Brasil (*)

Produtiva, dedicada, regrada;
adjetivos que se perderam, como o sol na noite.
Estou chateada;
só ignoro minha incompetência.

Vamos fingir que aprendo;
gastando a vida por notas e cargas horárias.
Fecho meus olhos;
quero ser levada como as nuvens no céu.

Pelo menos, posso me trancar em casa;
Não preciso dar sorrisos para ninguém;
Posso entrar em uma válvula de escape;
Posso sumir.

Dias repetitivos;
por favor me tragam emoções.
Copio e colo,
em novas 24 horas.
Me tragam meus amigos.
Tragam-me um passarinho para cantar em minha janela.
Tragam a infância que perdi.

(*) Júlia Mendes Brasil é estudante do 9º ano da E.E.E.M. Morada do Vale I – Gravataí – RS.

Contribuições para o debate sobre os protocolos apresentados pelo governo do estado

Por MPP Escola do Povo

A importância da escola ficou explícita durante este período de isolamento social e de suspensão das aulas. Por isso, o Movimento Popular Pedagógico Escola do Povo propõe que, antes de pensarmos em voltar às aulas presenciais, temos que refletir sobre o que aconteceu com as comunidades escolares nestes meses. As medidas que foram tomadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e seu Secretário de Educação, Faisal Karam foram realizadas sem diálogo e sem o envolvimento com as entidades vinculadas a educação.

A maior parte das atividades produzidas e enviadas pelo professorado, no calor das emoções e da pressa, priorizaram o conteúdo em lugar do pensamento. Num período em que o importante deveria ser o pensar, conviver, agir e adaptar a esta nova situação, aprender dela para crescermos todas e todos juntos. E esta oportunidade se perdeu e está se perdendo com as exigências burocráticas da SEDUC, sobretudo a partir das orientações procedimentais acerca das aulas remotas (não presenciais) e do Plano Emergencial de aulas não presenciais por meio dos Relatórios das Aulas Programadas de março até abril, que não são mais que tabelas, planilhas, números que servem apenas para prestar contas à sociedade que algo foi feito. Com isso o governo desconsidera que grande parte das e dos estudantes não tiveram acesso à educação por questões estruturais (a falta de equipamentos adequados, sem sinal de internet), por questões econômicas, e por questões de saúde (da proteção sanitária à saúde mental).
 
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Em defesa da vida de toda a sociedade

Por MPP Escola do Povo

EM DEFESA DA VIDA DE TODA A SOCIEDADE

Ao fechar a primeira semana de distanciamento controlado, o RS tem aproximadamente 5 mil casos e quase 170 mortes por causa do coronavírus. A defesa de ampliação do isolamento social deve ser defendido por todos os setores e junto a isso precisamos exigir que as medidas adotadas pelo governador Eduardo Leite possam garantir a saúde, a segurança e a proteção de todas as trabalhadoras e trabalhadores.

O documento que circulou informalmente nas redes sociais, nos últimos dias, demonstra que a SEDUC segue a linha de trabalhar sem dialogar com o Sindicato e a categoria. O governo, na contramão daquilo que diz, prepara um documento sozinho, sem conversar com nenhuma entidade da área da educação. Os países que já retomaram as atividades de ensino já constataram o aumento do número de pessoas infectadas, o que exige de nós, ainda mais cautela, pois estamos ausente de uma articulação nacional tanto para saúde quanto para educação.

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Os educadores, o CPERS e a conjuntura

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Por MPP Escola do Povo

OS EDUCADORES, O CPERS E A CONJUNTURA

Na semana em que o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil mortes por causa do coronavírus, o Presidente editou um decreto ampliando as atividades consideradas essenciais. No RS, Leite cedeu à pressão do setor empresarial e permitiu a abertura de escolas privadas. Diferentemente do que dizem, para eles em primeiro lugar está o lucro e não a vida.

A redução das taxas de lucro tem aprofundado ainda mais a crise do capitalismo, mas, ao mesmo tempo ele aprofunda a exploração sobre as(os) trabalhadoras(es) retirando seus direitos básicos. Para isto recorre a governantes de extrema direita, como Trump e Bolsonaro, este com claras inclinações golpistas e fascistas. A democracia está ameaçada em nosso país, assim como a vida das(os) brasileiras(os), por um governo que debocha da morte de milhares de vítimas da pandemia. Por isto a luta contra as difíceis condições salariais da categoria, atrasos e parcelamentos deve ser levada junto a DEFESA DA DEMOCRACIA e do afastamento de Bolsonaro. Sem democracia a luta será muito mais difícil e a exploração se aprofundará.

Uma entidade com a expressão do CPERS precisa ter mais presença nesta luta e ao lado das demais categorias e das Centrais Sindicais, deve assumir a defesa da vida, de viver com dignidade e contra a lógica do capitalismo predador e exploratório.

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O país dos idosos descartáveis

Por Valdete Moreira (*)

No RS o governador Eduardo Leite, não diferente de Bolsonaro, aprofunda a miséria de educadoras e educadores aposentados no momento em que mais precisam ser cuidados e atendidos em suas necessidades básicas. A grave crise sanitária mundial escancarou ao mundo o lugar que o idoso ocupa na sociedade brasileira.
Diante de um cenário atual que traz condições de vida e existência até então inimagináveis para boa parte de nós, não podemos nos furtar a debater sobre os setores da sociedade mais vulneráveis e que têm sentido de maneira muito mais violenta as restrições impostas por este contexto de pandemia.”

Leia o texto completo: https://www.brasil247.com/bl…/o-pais-dos-idosos-descartaveis

(*) Valdete Moreira. Secretária de Formação Política no CPERS Sindicato

Formação

  1. Apresentação
  2. Um método que unifique a teoria e a prática – a práxis (ver, Julgar e Agir)

2.1-  – Dinâmica de Aulas Públicas de Cidadania

  1. Atividades de formação política sindical interna
  2. Atividades de formação pedagógica
  3. Atividades de formação geral
  4. Atividades orientadas a incentivar a participação e a organização das famílias
  5. Atividades orientadas a incentivar a participação e a organização das e dos estudantes  (em construção)
  1. Apresentação.

A formação, se trata  de um tema recorrente e, diante do contexto nacional e internacional, de forte ofensiva do projeto neoliberal ultraconservador e radical, e, politicamente e ideologicamente, com fortes características de fascismo social, o que de fato,  esta em jogo, são os ataques ao conjunto dos direitos sociais e a destruição e aprisionamento/sequestro da democracia, desacreditando e deslegitimando o sistema democrático como alternativa de convivência em sociedade, abrindo perspectivas para  alternativas  autoritárias. Diante deste quadro torna-se vital os processos político-pedagógicos que aprofunde as capacidades e discernimentos crítico-autocríticos, o entendimento das questões centrais que estão em disputa, com a intensa luta de classes em curso, o que coloca o desafio de um novo padrão de lutas coletivas  do conjunto dos trabalhadores/as, e dos setores e segmentos que mais sofrem o processo de opressão e discriminação.  Assim, esta colocada e recolocada a  questão histórica e clássica, a mudança radical do rumo da história e a reconstrução de um novo projeto de nação democrática e popular!

2 – Um método que unifique a teoria e a prática – a práxis (ver, Julgar e Agir)

A formação sindical/popular precisa ser planejada e executada no contexto mais geral de uma estratégia de lutas políticas e ideológicas do campo democrático e popular, com base em nova “epistemologia do sul”  e de uma “sociologia das ausências e das emergências”, na acepção de Boaventura de Sousa Santos, atualizando novos conceitos e novas teorias, que de fato explicite as enormes contradições conjunturais e estruturais, mas que impulsione uma nova camada de lutadores/as sociais para colocarem em movimento um conjunto de ações concretas e ousadas no âmbito das categorias e segmentos, especialmente, nos locais de moradia, nos bairros e periferias e das comunidades urbanas e rurais.

A questão evidente postas a todos/as, os instrumentos clássicos de luta de classes dos  trabalhadores/as, as organizações sindicais, que estão sendo sufocadas financeiramente, e, que politicamente, apresentam enorme falta de legitimidade  e capacidade de mobilizações e de lutas em vista de preservar direitos conquistados e, de avançar rumo a novos direitos, como reinventá-las e torna-las instrumentos efetivos  para um novo período de lutas de classes? Em termos clássicos o poeta coloca a emblemática pergunta “E, Agora José?” ou, na acepção de Lenin “O que fazer?”

A proposta de retomada do método dialético e dialógico, interligando a reflexão teórica e as ações práticas, nos parece o mais apropriado e, resgata indicação de ativista e filosofo  Antônio Gramsci, de sermos “pessimistas na razão e otimista na vontade/ação”!

2.1-  – Dinâmica de Aulas Públicas de Cidadania

As experiências de tradicionais de eventos formativos com ênfase academicista, centrada em grandes conferencistas e palestrantes, com o mínimo de interação com os envolvidos, ao final não produzem incidências que mude  as contradições em pauta, por isso indicamos um formato de um palestrante principal e um conjunto de debatedores que contribuam com seus pontos de vista e relato de experiências sobre o tema em pauta, óbvio, com espaço para os participantes interagirem com seus questionamentos e ponderações.

3.- atividades de formação política sindical interna

Objetivo: Desenvolver um processo de formação crítica e política das trabalhadoras e trabalhadores em educação engajados no MPP Escola do Povo, visando sua preparação para a organização da luta sindical no/do CPERS Sindicato.

Metodologia: Vídeo de 3 a 5 minutos onde são abordados conteúdos sobre a importância da organização das trabalhadoras e trabalhadores; o papel dos sindicatos; a luta pela educação pública; a organização e os atuais desafios da luta das trabalhadoras e trabalhadores em educação.

Promover debates a cada apresentação de 5 vídeos. Temos que planejar a agenda e a metodologia destes debates.

Tema 1: Sindicalismo na Educação. Modelo Sindical

Tema 2: Sindicalismo na Educação e Movimentos Sociais

Outros temas/vídeos: Convidados/as

  • Por que organizar as trabalhadoras e trabalhadores em educação?
  • Como se constituiu a luta das trabalhadoras e trabalhadores em educação? Quais as pautas históricas e quais os desafios temos hoje? VAL
  • A disputa pela educação no Brasil é uma questão permanente:
  • Por que a educação no Brasil sempre esteve em disputa? Hoje o que está sendo disputado no âmbito do Congresso? MARIA DO ROSÁRIO
  • O papel do Cpers na luta pela valorização dos profissionais da educação: Quais foram as conquistas feitas pelo CPERS? Quais as lutas centrais do CPERS? ELOEDE
  • A organização política do CPERS – HELDER
  • Como se organiza a estrutura política do CPERS? Como se constituem as correlações de forças no CPERS e quais são os projetos em disputa?
  • Desafios das lutas hoje: Hoje quais são os desafios que temos para a (re)organização das lutas? Existe possibilidade de avançar nas formas de organização das trabalhadoras e trabalhadores em educação? NINA XAVIER
  1. Atividades de formação pedagógica

Temas:

  • Como viver a Democracia na Escola
  • Recuperar pensadoras/es da Educação Popular: Freire, Freinet, Simón Rodriguez, José Martí (educadoras??? Desafio)
  • Repensar o currículo pós pandemia

Metodologia:

Lives, Vídeos

Tema 1 – A Pedagogía Popular e a Pedagogía Crítica

  1. a) Os Pedagogos Populares: Simón Rodriguez, Paulo Freire e Celestín Freinet.

Tema 2 – A Pedagogía Crítica

5 – Temas Gerais –

Todas/os os participantes, do processo formativo, necessitam fazer o oficina de resgates dos legados de Paulo Freire e de Florestan Fernandes, de Simón Rodriguez e Celestin Freinet, bem como, do filosofo Edgar Morin e Hannah Arendt, e,  do sociólogo Boaventura de Sousa Santos! Pois tratam de conceitos e teorias vitais para as leituras e releituras do presente, do passado e, do futuro, em especial, em vista do mundo pós pandemia! Pois estamos partindo do lugar social, de educadores, que através da pedagogia e da escola popular, buscam empoderar e capacitar novos atores/as sujeitos de uma nova história local, regional e mundial!

Da mesma forma, cada modulo precisará de forma breve, atualizar as leituras das questões conjunturais e estruturais, em vista das lutas política e desafios postos!

3.1- O Caráter Escravocrata das Elites Brasileiras  

Referência: “ A Elite do Atraso – Da Escravidão à Lava Jato” Jessé de Souz

– O Conceito de Guerra Híbrida

Referência : O nome disso é guerra hibrida – Ângela Carrato

3.2- e potencialidades do sindicalismo  brasileiro e mundial – desafio de um novo padrão organizativo e de lutas 

Referência: “O  Privilégio da Servidão – crise no sindicalismo e perfil dos trabalhadores brasileiros no século XXI e o mundo do trabalho no século XXI – Ricardo Antunes – Unicamp

3.3 – Perfil dos trabalhadores brasileiros no século XXI e o mundo do trabalho no século XXI

Referência: “Trabalho precário, intermitente, é a antessala do desemprego”, diz Ricardo Antunes – Brasil de Fato – abril de 2019 e “Adeus ao trabalho? – ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho” – RICARDO ANTUNES

3.4 – A subjetividade revolucionária – novos sujeitos para uma nova  sociedade

Referencia: “Subjetividade Contemporânea: crise de identidade moderna”, “Psicanálise e Política I e II” –  Christian Dunker – USP

3.5 – “As lições da Marcha da Coluna Prestes para as lutas democráticas e populares contemporâneas “

Referência: “Coluna Prestes 90 Anos: 1924-2014 – Raul Carrion

3.6 – “Os desafios da reinvenção da democracia e das lutas revolucionárias”

Referência: “Revolução e Democracia” de Boaventura de Sousa Santos

3.7 – “Os desafios das lutas feministas – As lições da Marcha da Mundial das Mulheres” 

Referência: “ Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade”

3.8-– As  lutas contra opressão e discriminações e por novos direitos – Comunidade  LGBT –Desafios da convivência na diversidade e  pluralidade!”

Referência: “ População LGBT tem acesso reduzido a direitos sociais … – ONU” e 

“ONU aprova resolução histórica sobre direitos LGBT” – Carta Maior

3.9 – A importância histórica e atual dos direitos humanos

Referência: Declaração Universal dos Direitos Humanos – 1948

3.10 – “Outra Economia é Possível e Necessária – Desafios da Economia Solidária e da Agroecologia

Palestrantes: Raul Aramendy – Multiversidad Popular – Posadas – Argentina, Glauco Jose Sell  – Produtor Agroecólogo – Paulo Lopes – SC

Referências : Feicoop – Santa Maria/RS e Produção Agroecológica/Orgânica do MST/RS

3.11- Agrotóxicos e Impactos nos Alimentos e nas Águas” – Desafios dos manejos ecológicos;

Palestrantes: Leonardo Melgarejo (vice-presidente Região Sul da Associação Brasileira de Agroecologia/ABA e membro da Associação Gaúcha de Proteção ao Meio Ambiente Natural/AGAPAN);

Referência: Vandana Shiva: “A comida é o maior problema de saúde no mundo” – Jornal Brasil de Fato – Abril de 2018

3.12- Programa de Renda Mínima Cidadã Universal

Referência: Programa de Renda Mínima Universal – Eduardo Suplicy – Vereador PT/SP e Ex- Senador do PT/SP e “ Garantia de renda mínima para erradicar a pobreza: o debate e a experiência brasileiros” – EDUARDO MATARAZZO SUPLICY  e CRISTOVAM BUARQUE

3.13- O Fundamentalismo Religioso e a Teologia da Prosperidade – Instrumentos da Estratégia de Dominação e o Opressão das Populações e, o Desafio da Retomada da Teologia da Libertação” 

6 – Proposta de trabalho com as famílias:

O Movimento Popular Pedagógico – Escola do Povo entende que as famílias têm que ter um papel ativo nas escolas públicas e/ou privadas. A Democracia está em risco no país com um presidente inepto, e dirigida por neoliberais com o determinado propósito de privatização. No Rio Grande do Sul, na figura no governador Eduardo Leite (PSDB), aprofundando as desigualdades e a total ausência de não realiza nenhum diálogo com a comunidade educativa e suas representações. O cenário é desolador quando o financiamento da educação está congelado por 20 anos e, mesmo com uma pandemia que já levou à morte mais de 15 mil brasileiras e brasileiros, o Congresso não revogou a E.C.95 ou apresentou alternativas concretas para a Educação que realmente possam mitigar ou, o que desejamos, melhorar essa situação, exceto por propostas da esquerda que não avançam. E qual a relação das famílias com este cenário?

As famílias, já há alguns anos, tem sido coadjuvante ou não tem tido nenhum papel real no processo educativo. As escolas dão por certo que a democracia está vigente porque têm instrumentos como o CPM ou o Conselho Escolar, este último uma conquista da maior importância depois da democratização do país. Contudo, temos de admitir que, em muitos casos,  os Conselhos Escolares foram cooptados por direções (também eleitas) anulando seu papel ou o que é pior, servindo para legitimar os interesses de direções de escolas que são linha de transmissão de governos que maltratam a educação, como o de Sartori (MDB) e atualmente, o de Eduardo Leite (PSDB).

Para começar a mudar este cenário, a Escola do Povo, está propondo uma série de ações que possam fortalecer a democratização da escola pública e colaborar para fomentar e qualificar a participação das famílias na escola, e que o CPM seja um espaço democrático para a organização das famílias e, seus debates e reflexões, sejam acatados pela representação das famílias no Conselho Escolar. Mas, nossa proposta é mais ousada, é avançar para a mudança da legislação vigente e que este espaço deixe de ser tutelado pelo professorado, para ser exclusivamente das famílias em sua diversidade.

Para isso, propomos duas linhas de ação: Atividades criativas/festivas para promover a participação das famílias na escola e a Formação para que elas possam compreender melhor o papel destes instrumentos e a importância de viver a Democracia na escola. Também entendemos que o desafio que se coloca atualmente, é apresentar propostas que sirvam para o período de isolamento social e para o pós-pandemia.

O importante é que este projeto possa ser adaptado à situação concreta de cada escola, especialmente, no que se refere as relações do professorado e das famílias e o nível de participação dos mesmos nela. Não é a mesma situação numa escola com uma direção progressista que uma escola com uma direção submetida ao governo e autoritária.

Daí a necessidade da construção coletiva deste instrumento, para que essas diferentes realidades e soluções de encaminhamentos possam ser de utilidade.

O MPP – Escola do Povo, entende que o termo FAMÍLIAS é o mais adequado e representativo da diversidade presente na sociedade e, portanto, nas escolas. Em qualquer caso, quando tivermos que usar mães e pais que seja sempre nessa ordem, não somente para sermos justxs com a participação real na escola que majoritariamente é das mães, mas também por adotar uma linguagem inclusiva.

Atividades criativas/festivas:

1 – Celebração do datas festivas importantes, civis e laicas: Dia Internacional da Mulher, da Família, da Consciência Negra, do Orgulho LGBT, do Meio Ambiente, etc.

2 – Jogos esportivos nos fins de semana;

3 – Apresentação de teatros, musicais, Saraus Literários, etc.;

4 – Almoço coletivo da turma tal;

5 – …

Atividades de Formação que podem ser presenciais ou em vídeos:

Observação importante: Pensamos que em um primeiro momento, para trazê-las à escola ou para que assistam os vídeos, os temas deverão ser de seus interesses mais próximos, sabemos que as famílias não vão participar de atividades da escola se propusermos assuntos como A laicidade na Educação, embora desejamos que chegue a esse ponto. De novo, isto dependerá da realidade de cada escola, da percepção das e dos nossos integrantes, da disponibilidade de pessoas para levar o debate a cabo.

  • A importância das famílias na prevenção do consumo de álcool e outras drogas;
  • Bullying, soluções a partir das famílias;
  • Limites: como podemos modificar ou reforçar atitudes da minha filha ou do meu filho;
  • A passagem da infância à adolescência. Conflitos e estratégias para enfrenta-los “sem morrer na tentativa”;
  • Suicídio, um tabu a ser enfrentado com conhecimento e amorosidade;
  • As novas tecnologias: aprender para ensinar; Creio que seria interessante ampliar o horizonte, colocar cultura digital, pois abrange o conhecimento das TIC e abraça a cultura do uso dessas tecnologias.
  • Como enfrenta a violência contra as mulheres e meninas. Detecção precoce para as famílias;
  • Comunicação não violenta; Destaco a justiça restaurativa como possibilidade dialógica e os círculos da paz. Dois movimentos que de uma certa maneira fazem interlocução com conceitos de Freire.
  • Como ajudar as nossas filhas e filhos nas tarefas escolares e fomentar a leitura;
  • Ideologia de gênero ou Educação para a sexualidade;
  • Celebração da diversidade e combate à LGBTfobia;
  • Viver a Democracia na escola;
  • Porque uma escola laica?

A partir desta relação devemos pensar em pessoas que poderiam tratar os diferentes temas, primeiramente buscá-las entre nós do MPP Escola do povo, para valorizar os saberes das e dos nossas/os companheiras/os. Depois convidadas e convidados de fora do nosso grupo que se comprometam com estas ideias e com as atividades.

A outra possibilidade, para estas formações, seria com pessoas renomadas por meio de Lives, teleconferências e/ou vídeos, que poderia ser o início de uma atividade e posteriormente dinamizado por integrantes do MPP Escola do Povo, em sua própria escola ou em outras próximas.

Enquanto este documento for debatido e enriquecido com as propostas das e dos companheiros, Albert e Leslie (e quem mais quiser) se propõem a fazer um vídeo (ou diversos pequenos vídeos) para responder as seguintes perguntas:

  • O que é um CPM?
  • Qual é sua finalidade?
  • Objetivos gerais;
  • Estatutos;
  • Legislação;
  • Como funcionam e como poderiam funcionar;
  • Direção;
  • Direitos e deveres;
  • Serviços;
  • Participação na Escola e no Conselho Escolar;
  • Quais são as maiores dificuldades;
  • 1Como fomentar a participação do CPM…

Nossa proposta é que este(s) vídeo(s) tenham a presença de mães, pais, avós, avôs, pessoas responsáveis por nosso alunado perguntando e respondendo essas perguntas. Nós ajudaríamos com os roteiro e textos, mas a ideia é que as famílias sejam as protagonistas do vídeo, que possam se reconhecer nessas pessoas. Por isso, necessitamos indicações de pessoas que tenham uma participação efetiva nos CPMs em todo o estado do RS e seus contatos para que possamos conversar com elas.

O mesmo caminho poderíamos fazer com os Conselhos Escolares.

  1. Atividades orientadas a incentivar a participação e a organização das e dos estudantes  (em construção)

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