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Educação Popular para a pospandemia: Construindo os inéditos-viáveis

FME Belem 2009. Foto Albert Sansano/Leslie Toledo

Por Oscar Jara Holliday (*)

O contexto latino-americano e caribenho desde antes da crise produzida pela pandemia do COVID 19, estava atravessado por uma ofensiva neoliberal em distintas dimensões (política, econômica, socio ambiental, cultural) que havia se estendido por toda nossa região com uma força inusitada nos dois últimos anos: o golpe de Estado de Bolívia, a virada do governo em Equador, a agressividade do governo brasileiro, o crescente bloqueio a Cuba e Venezuela, o resultado das eleições em Uruguai, etc. refletem umas dinâmicas de polarização que incluíram grandes mobilizações populares em Haiti, Equador, Chile e Colômbia, a caravana de migrantes centro-americanos, ou a derrota do partido Cambiemos em Argentina. Estes e outros fatores, como o crescente número de dirigentes sociais e ambientais assassinados especialmente em Colômbia, México e Honduras, embora também em outros países como Costa Rica, visibilizam a magnitude desta ofensiva e a polarização que ela produziu em relação a propostas e movimentos progressistas. Os primeiros meses de 2020 mostram também um preocupante crescimento de casos de agressões contra as mulheres e de feminicídios, expressão da cruel e estendida que é esta situação de múltiplas violências que vivemos.

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O papel da escola se funde ao papel da sociedade: combater o racismo em todas as suas formas e manifestações. Entrevista a Renísia Cristina Garcia

Foto: Amália Gonçalves/Secom UnB

Entrevista a Profa Dra. Renísia Cristina Garcia Filice (*)

Escola do Povo:  O assassinato de George Floyd no EUA, a morte de Miguel Otávio Santana da Silva de 5 anos no Brasil, do João Pedro de 14 anos ou de cada uma das vidas que são ceifadas em nosso país só reforçam aquilo que temos defendido há muitos anos sobre a necessidade da luta contra o racismo. Nesse sentido qual o papel da escola na luta contra o racismo?

Renísia Cristina Garcia – O papel da escola se funde ao papel da sociedade: combater o racismo em todas as suas formas e manifestações. Temos uma legislação robusta, resultado da organização do Movimento Negro e que gerou, destacadamente, a lei 10.639/2003, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e obriga o ensino de História da Africa e Cultura Afro brasileira.  Estudar a contribuição negra, a cultura negra negada, é tarefa de todo e toda educadora, como forma de ajudar a evidenciar práticas preconceituosas e discriminatórias que pavimentam o racismo no Brasil. Nem o caso de George Floyd, Miguel, João e milhares de outros são diferentes, o problema é que, no Brasil – por vezes, nega-se o seu racismo. O que torna a situação muito grave. O mito da democracia racial ainda nos assombra de forma avassaladora.

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Sabão Legal: juntos contra o vírus

Por Jussemar da Silva (*)

Na condição de diretor da E. E. E. Médio Farroupilha há três anos nesta função, juntamente com toda a equipe diretiva temos procurado abrir canais e espaços de trocas com a comunidade e instituições educativas. Dentre estas ações destacamos o projeto Sabão Legal: juntos contra o vírus , o que será objeto do nosso relato.

No início de abril, do corrente ano, num período em que já nos encontrávamos com a suspensão presencial das aulas, em razão da pandemia do COVID-19, fomos procurados pela mãe da aluna Júlia, a senhora Daniela Dias, que é estudante do IFRS, tecnóloga de Gestão Ambiental, onde manifestou interesse e convidou a escola para desenvolvermos um projeto. Após esta conversa preliminar, combinamos uma primeira reunião para planejar melhor este propósito. Reunidos na sala dos professores no dia 15 de abril, juntamente com a presidente do CPM da escola, Leine, a senhora Simone, representando a Associação Comunitária da Vila Querência, o professor Sérgio Kapron do IFRS, as alunas Júlia e Manuela do Farroupilha e do IFRS, respectivamente, pautamos o projeto, ponderamos sobre os objetivos, estratégia e parcerias. Tomando as medidas e procedimentos para pôr em prática.
 
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Posicionamento do Comitê Popular Estadual de acompanhamento da crise educacional no RS sobre o protocolo de retorno às aulas

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Pelo Comitê Popular Estadual

Posicionamento do Comitê Popular Estadual de acompanhamento da crise educacional no RS sobre o protocolo de retorno às aulas

1. A situação de emergência sanitária em que vivemos hoje não pode servir de pretexto para negar o direito à educação. Diante disso, manifestamos discordância com as medidas previstas na Portaria Conjunta SES/SEDUC/RS Nº 01/2020 que instituiu o protocolo de prevenção, monitoramento e controle do novo Coronavírus a serem adotadas por todas as Instituições de Ensino no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul.
2. No RS, assim como no restante do país, a situação da pandemia é de ascendência, por isso, antes de defender o retorno de qualquer tipo de atividade presencial nas instituições de ensino é necessário reforçar as medidas de isolamento social e distanciamento físico como a garantia do direito à vida e à saúde. Tais medidas estão em acordo com as orientações da OMS¹ e se mostram como as ações mais eficazes de diminuição das taxas de contaminação e proliferação do vírus.
3. A pandemia do COVID-19 levou-nos a uma situação de excepcionalidade que tem gerado ruptura nos processos formativos e nos vínculos entre as crianças, estudantes e instituições de ensino escolares e acadêmicas. Nesse contexto, não podemos permitir que as medidas que estão sendo adotadas sem um diálogo amplo com a sociedade tragam ainda mais prejuízos às crianças e estudantes.

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A Escola durante e pós-pandemia

 
Por Guiomar Terra Batú dos Santos

 

Dois mil e vinte. O verão,quase brasa, sai de cena e dá lugar ao outono assombroso, tenso, em que quase passou despercebida,a dança das folhas multicores ao vento, deixando as árvores desnudas. Desnudas as árvores, e as gentes. Desnudos todos nós de nossas certezas tão incertas, assistimos, estupefatos, à humanidade sendo devorada por um vírus minúsculo a desafiar todos os avanços da ciência.

O medo ronda as casas, arrebata vidas. A pandemia se agiganta mundo afora, sem limites, sem fronteiras.

No Brasil doente, desordenado, pandemônio, aprofundam-se enfermidades múltiplas: o coronavírus rasga a terra em sepulcros; a derrocada da democracia vai se naturalizando; a economia chafurdando, empobrecimento e miserabilidade com mais de 40 milhões de pessoas ganhando a vida na informalidade, mais de 12 milhões de desocupados.

O inverno gélido no torrão gaúcho é demarcador da realidade social – conforto, prazer, bons vinhos para alguns, agonia, flagelo para muitos.

O bom senso faz-nos reclusos, um tanto sepultados, sem poder transitar, sem abraçar, sem beijar, sem um aperto de mão sequer.

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Copio e colo

Por Júlia Mendes Brasil (*)

Produtiva, dedicada, regrada;
adjetivos que se perderam, como o sol na noite.
Estou chateada;
só ignoro minha incompetência.

Vamos fingir que aprendo;
gastando a vida por notas e cargas horárias.
Fecho meus olhos;
quero ser levada como as nuvens no céu.

Pelo menos, posso me trancar em casa;
Não preciso dar sorrisos para ninguém;
Posso entrar em uma válvula de escape;
Posso sumir.

Dias repetitivos;
por favor me tragam emoções.
Copio e colo,
em novas 24 horas.
Me tragam meus amigos.
Tragam-me um passarinho para cantar em minha janela.
Tragam a infância que perdi.

(*) Júlia Mendes Brasil é estudante do 9º ano da E.E.E.M. Morada do Vale I – Gravataí – RS.

Contribuições para o debate sobre os protocolos apresentados pelo governo do estado

Por MPP Escola do Povo

A importância da escola ficou explícita durante este período de isolamento social e de suspensão das aulas. Por isso, o Movimento Popular Pedagógico Escola do Povo propõe que, antes de pensarmos em voltar às aulas presenciais, temos que refletir sobre o que aconteceu com as comunidades escolares nestes meses. As medidas que foram tomadas pelo governador Eduardo Leite (PSDB) e seu Secretário de Educação, Faisal Karam foram realizadas sem diálogo e sem o envolvimento com as entidades vinculadas a educação.

A maior parte das atividades produzidas e enviadas pelo professorado, no calor das emoções e da pressa, priorizaram o conteúdo em lugar do pensamento. Num período em que o importante deveria ser o pensar, conviver, agir e adaptar a esta nova situação, aprender dela para crescermos todas e todos juntos. E esta oportunidade se perdeu e está se perdendo com as exigências burocráticas da SEDUC, sobretudo a partir das orientações procedimentais acerca das aulas remotas (não presenciais) e do Plano Emergencial de aulas não presenciais por meio dos Relatórios das Aulas Programadas de março até abril, que não são mais que tabelas, planilhas, números que servem apenas para prestar contas à sociedade que algo foi feito. Com isso o governo desconsidera que grande parte das e dos estudantes não tiveram acesso à educação por questões estruturais (a falta de equipamentos adequados, sem sinal de internet), por questões econômicas, e por questões de saúde (da proteção sanitária à saúde mental).
 
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Em defesa da vida de toda a sociedade

Por MPP Escola do Povo

EM DEFESA DA VIDA DE TODA A SOCIEDADE

Ao fechar a primeira semana de distanciamento controlado, o RS tem aproximadamente 5 mil casos e quase 170 mortes por causa do coronavírus. A defesa de ampliação do isolamento social deve ser defendido por todos os setores e junto a isso precisamos exigir que as medidas adotadas pelo governador Eduardo Leite possam garantir a saúde, a segurança e a proteção de todas as trabalhadoras e trabalhadores.

O documento que circulou informalmente nas redes sociais, nos últimos dias, demonstra que a SEDUC segue a linha de trabalhar sem dialogar com o Sindicato e a categoria. O governo, na contramão daquilo que diz, prepara um documento sozinho, sem conversar com nenhuma entidade da área da educação. Os países que já retomaram as atividades de ensino já constataram o aumento do número de pessoas infectadas, o que exige de nós, ainda mais cautela, pois estamos ausente de uma articulação nacional tanto para saúde quanto para educação.

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Os educadores, o CPERS e a conjuntura

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Por MPP Escola do Povo

OS EDUCADORES, O CPERS E A CONJUNTURA

Na semana em que o Brasil ultrapassou a marca de 10 mil mortes por causa do coronavírus, o Presidente editou um decreto ampliando as atividades consideradas essenciais. No RS, Leite cedeu à pressão do setor empresarial e permitiu a abertura de escolas privadas. Diferentemente do que dizem, para eles em primeiro lugar está o lucro e não a vida.

A redução das taxas de lucro tem aprofundado ainda mais a crise do capitalismo, mas, ao mesmo tempo ele aprofunda a exploração sobre as(os) trabalhadoras(es) retirando seus direitos básicos. Para isto recorre a governantes de extrema direita, como Trump e Bolsonaro, este com claras inclinações golpistas e fascistas. A democracia está ameaçada em nosso país, assim como a vida das(os) brasileiras(os), por um governo que debocha da morte de milhares de vítimas da pandemia. Por isto a luta contra as difíceis condições salariais da categoria, atrasos e parcelamentos deve ser levada junto a DEFESA DA DEMOCRACIA e do afastamento de Bolsonaro. Sem democracia a luta será muito mais difícil e a exploração se aprofundará.

Uma entidade com a expressão do CPERS precisa ter mais presença nesta luta e ao lado das demais categorias e das Centrais Sindicais, deve assumir a defesa da vida, de viver com dignidade e contra a lógica do capitalismo predador e exploratório.

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O país dos idosos descartáveis

Por Valdete Moreira (*)

No RS o governador Eduardo Leite, não diferente de Bolsonaro, aprofunda a miséria de educadoras e educadores aposentados no momento em que mais precisam ser cuidados e atendidos em suas necessidades básicas. A grave crise sanitária mundial escancarou ao mundo o lugar que o idoso ocupa na sociedade brasileira.
Diante de um cenário atual que traz condições de vida e existência até então inimagináveis para boa parte de nós, não podemos nos furtar a debater sobre os setores da sociedade mais vulneráveis e que têm sentido de maneira muito mais violenta as restrições impostas por este contexto de pandemia.”

Leia o texto completo: https://www.brasil247.com/bl…/o-pais-dos-idosos-descartaveis

(*) Valdete Moreira. Secretária de Formação Política no CPERS Sindicato