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Educação Popular para a pospandemia: Construindo os inéditos-viáveis

FME Belem 2009. Foto Albert Sansano/Leslie Toledo

Por Oscar Jara Holliday (*)

O contexto latino-americano e caribenho desde antes da crise produzida pela pandemia do COVID 19, estava atravessado por uma ofensiva neoliberal em distintas dimensões (política, econômica, socio ambiental, cultural) que havia se estendido por toda nossa região com uma força inusitada nos dois últimos anos: o golpe de Estado de Bolívia, a virada do governo em Equador, a agressividade do governo brasileiro, o crescente bloqueio a Cuba e Venezuela, o resultado das eleições em Uruguai, etc. refletem umas dinâmicas de polarização que incluíram grandes mobilizações populares em Haiti, Equador, Chile e Colômbia, a caravana de migrantes centro-americanos, ou a derrota do partido Cambiemos em Argentina. Estes e outros fatores, como o crescente número de dirigentes sociais e ambientais assassinados especialmente em Colômbia, México e Honduras, embora também em outros países como Costa Rica, visibilizam a magnitude desta ofensiva e a polarização que ela produziu em relação a propostas e movimentos progressistas. Os primeiros meses de 2020 mostram também um preocupante crescimento de casos de agressões contra as mulheres e de feminicídios, expressão da cruel e estendida que é esta situação de múltiplas violências que vivemos.

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Por que recomendo Freire?

Por Nina Rosa Ventimiglia Xavier (*)

 

Recomendo Freire por que:
  • Na linguagem do brasileiro oprimido, sem teto e sem perspectiva, uberizado ou favelado, servidor público esmagado pelas reformas que colocam nosso povo em uma situação de desfuturo e desesperança.
  • Nos idiomas que professores com míseros salários, direitos corroídos pela ganância neoliberal, ensinam as futuras gerações sem saber que muitos ainda poderão servir a caterva aniquilando vidas e retaliando os parcos direitos da classe trabalhadora.
  • Na escrita dos muros pichados e nas imagens produzidas pelas pessoas que moram nas ruas – tão inertes e desconhecidos, pelas políticas públicas-, há uma sabedoria dos que são invisíveis para a sociedade.

A Escola durante e pós-pandemia

 
Por Guiomar Terra Batú dos Santos

 

Dois mil e vinte. O verão,quase brasa, sai de cena e dá lugar ao outono assombroso, tenso, em que quase passou despercebida,a dança das folhas multicores ao vento, deixando as árvores desnudas. Desnudas as árvores, e as gentes. Desnudos todos nós de nossas certezas tão incertas, assistimos, estupefatos, à humanidade sendo devorada por um vírus minúsculo a desafiar todos os avanços da ciência.

O medo ronda as casas, arrebata vidas. A pandemia se agiganta mundo afora, sem limites, sem fronteiras.

No Brasil doente, desordenado, pandemônio, aprofundam-se enfermidades múltiplas: o coronavírus rasga a terra em sepulcros; a derrocada da democracia vai se naturalizando; a economia chafurdando, empobrecimento e miserabilidade com mais de 40 milhões de pessoas ganhando a vida na informalidade, mais de 12 milhões de desocupados.

O inverno gélido no torrão gaúcho é demarcador da realidade social – conforto, prazer, bons vinhos para alguns, agonia, flagelo para muitos.

O bom senso faz-nos reclusos, um tanto sepultados, sem poder transitar, sem abraçar, sem beijar, sem um aperto de mão sequer.

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